Pessoa
Benedito
anos 1830 – ?
Nasceu em Angola
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Benedito era um homem africano idoso, descrito em relatos históricos como um "negro natural de Angola", que morava no bairro do Pelourinho em Salvador, Bahia. Como um africano liberto no Brasil do final do século XIX, ele representa uma das últimas gerações que transmitiu diretamente tradições de luta da África para o Brasil. O tráfico transatlântico de escravos para o Brasil foi abolido em 1850, o que significa que Benedito provavelmente estava entre aqueles trazidos ao Brasil antes desta data, ou nasceu de pais africanos pouco depois.
Benedito pertence a uma geração crucial de professores nascidos na África que ensinaram os fundadores da capoeira moderna. Seus contemporâneos incluem Bentinho (que ensinou Mestre Bimba) e Tio Alípio (que ensinou Besouro Mangangá). Juntos, esses professores africanos formam a ponte entre as origens africanas da arte—possivelmente a tradição do engolo praticada pelos povos Nyaneka-Nkhumbi do sudoeste de Angola—e sua codificação no Brasil do século XX.
Por volta de 1899, Benedito observou de sua janela uma cena recorrente em sua rua: um menino frágil de cerca de 8-10 anos perdendo repetidamente brigas para um menino maior e mais velho. Um dia, após ver o menino menor chorar de raiva depois de outra derrota, Benedito chamou-o: "Você não pode vencê-lo, sabe, porque ele é maior e mais velho que você. O tempo que você perde soltando pipas, venha à minha casa e eu lhe ensinarei algo de grande valor".
Aquele menino era Vicente Ferreira, que se tornaria Mestre Pastinha, o grande preservador da Capoeira Angola. Vicente tornou-se discípulo de Benedito, visitando sua casa todos os dias com o grande interesse que a capoeira havia despertado nele. Pelos próximos dois a três anos, Benedito ensinou-lhe tudo o que sabia—não apenas as técnicas físicas como a ginga, mas também a mandinga (a astúcia, malícia e aspectos espirituais da arte), disciplina e respeito aos mais velhos.
A filosofia de ensino de Benedito enfatizava paciência e contenção. Ele aconselhou seu jovem aluno: "Não provoque, menino. Faça-o perceber o que você sabe bem devagar". Quando Vicente finalmente confrontou seu agressor novamente, um único golpe foi suficiente. O menino mais velho tornou-se seu amigo por admiração e respeito.
Notavelmente, Benedito ensinava capoeira sem berimbau, acompanhando a prática apenas com um tambor (atabaque)—um método comum na capoeira baiana daquela época. Registros históricos confirmam que "nos primeiros tempos, a capoeira era acompanhada apenas pelo grande tambor (conhecido como ngoma, conga ou atabaque), palmas e canto". O berimbau não se tornou o instrumento central da capoeira até o início do século XX. Este detalhe conecta o ensino de Benedito a tradições africanas mais antigas, onde tambores como o ngoma eram usados para transmitir mensagens aos guerreiros "em uma linguagem que lhes era familiar".
Ao longo de sua longa vida, Pastinha falou de Benedito com profunda gratidão. Em uma entrevista de 1975, ele lembrou: "Digamos com 8 anos, com 9 anos eu me tornei capoeirista. Aprendi com um mestre, Benedito, não baiano, africano". Em 1964, seu aluno J.B. Colmenero notou que Pastinha falava "com palavras cheias da mais pura gratidão sobre Mestre Benedito, um negro natural de Angola".
Quando o pintor luso-angolano Albano Neves e Sousa visitou a academia de Pastinha em 1965 e mostrou-lhe desenhos do engolo—um jogo de combate que ele havia documentado entre o povo Nkhumbi da região de Cunene nos anos 1950—ele declarou: "N'golo é capoeira". Embora a visão de Pastinha já estivesse falhando devido a cataratas naquela época, este encontro forneceu evidência visual do que a tradição oral sempre afirmara: que a capoeira originou-se em Angola. Benedito, como nativo de Angola, representa um elo direto nessa cadeia de transmissão.
Nada mais se sabe sobre a vida de Benedito além de seu papel como professor de Pastinha. Não sabemos seu nome completo, como veio para o Brasil, quem lhe ensinou capoeira na África, ou quando morreu. Mas através de sua instrução paciente a um menino intimidado em uma rua de Salvador, ele se tornou a fonte de uma das linhagens mais importantes da capoeira—e uma conexão viva com as raízes africanas da arte.
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Teve como alunos/as1
Benedito teve como aluno/a Pastinha1899 – 1902
Pastinha aprendeu capoeira com Benedito, um africano de Angola, aos 10 anos após ser intimidado. Treinou por três anos na casa de Benedito. Pastinha falava dele com "a mais pura gratidão".
Verificado[1][2]- [1]Pastinha interviews 1964, 1967 (referência incompleta)
- [2]Pastinha 1899, Velhos Mestres
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Viveu em: Pelourinho, Salvador, Bahia, Brasil
período não registrado
- 1
- declarações
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- · 100%
- com fonte
- 0
- sem fonte
- 0
- contestadas
Relações por confiança
- Verificado: 1
Fontes citadas
- [1]Pastinha interviews 1964, 1967 ×1citada 1 vez
- [2]Pastinha 1899, Velhos Mestres ×1citada 1 vez