Chico Me Dá foi um lendário capoeirista de Salvador, Bahia, ativo durante o final do século XIX ou início do século XX. Ele é conhecido pela entrevista de Mestre Pastinha de 1967 com Roberto Freire para a Revista Realidade, na qual Pastinha recordou os grandes capoeiristas do passado.
Nessa entrevista, conduzida quando Pastinha tinha 78 anos e estava quase cego, o pai da Capoeira Angola listou dezessete praticantes falecidos que haviam praticado "a pura capoeira de Angola como eu e esses rapazes aí fazem até hoje". Chico Me Dá estava entre eles, ao lado de outras figuras de nomes coloridos como Bigode de Seda, Américo Ciência, Bugalho, Amorzinho, Zé Bom Pé, Chico Três Pedaços, Tibiriçá da Folha Grossa, Doze Homens, Inimigo Sem Tripa, Vitorino Braço Torto, Zé do U, Zé do Saco, Bené do Correio e Sete Mortes. Pastinha também mencionou duas mulheres entre esses praticantes lendários: Júlia Fogareira e Maria Homem.
Pastinha comentou sobre essas figuras: "Digo a gente, lembrando os grandes capoeiristas do passado. Já estão mortos. Cada nome destes é uma história". Ele enfatizou que seus apelidos revelavam seu caráter e estilo de luta: "Só pelo apelido você conhece quem eles eram, como lutavam".
O apelido "Chico Me Dá" é distintivo e intrigante. "Chico" é um diminutivo brasileiro comum para Francisco, amplamente usado entre capoeiristas—o mesmo padrão de nomenclatura de Chico Três Pedaços e outras figuras famosas. "Me Dá" significa "Give me" em inglês. O apelido completo "Chico Me Dá" pode ter se originado de um bordão que o lutador usava durante as rodas—talvez desafiando oponentes a "me darem" uma luta, ou exigindo algo da vida. Também poderia referir-se a um estilo de luta onde ele agressivamente exigia a vantagem, ou até mesmo um traço de personalidade de alguém conhecido por pedir ou tomar. Pastinha observou que os apelidos desses velhos angoleiros codificavam informações sobre suas identidades e métodos de luta, embora sem documentação adicional, a origem exata permaneça um mistério.
No artigo do O Globo de 1976 sobre os anos de declínio de Pastinha, seus alunos recordaram a geração de "angoleiros de briga" que incluía Chico Me Dá: "Depois que Bimba morreu, só restou ele daquela geração de 'angoleiros' de briga". Isso confirma que Chico Me Dá pertencia a uma era em que a capoeira era primariamente uma arte de luta de rua, antes da formalização em academias.
Nenhum detalhe biográfico adicional sobreviveu—nenhum mestre, aluno, incidente específico ou aparição documentada. Chico Me Dá existe como um nome na lista de Pastinha dos caídos, um lembrete de que por trás de cada apelido havia uma vida agora em grande parte esquecida. Sua inclusão entre essas figuras lendárias confirma sua posição como um dos notáveis capoeiristas da Bahia durante a era dourada da capoeira de Angola.