Pessoa
Mestre Cafuné
Sérgio Fachinetti Dória
1938 –
Nasceu em Salvador, Bahia, Brasil
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- Vida
- Linhagem (treino, títulos concedidos)
- Locais
- sem data de fim
Momentos datados desta trajetória, do corpus.2 momentos sem data estão na seção Relações
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Sérgio Fachinetti Dória, conhecido como Mestre Cafuné, nasceu em 1938 em Salvador, Bahia. Trabalha como marceneiro e dedicou mais de cinco décadas à capoeira.
Em 1966, Cafuné leu uma entrevista com Mestre Bimba em um jornal e foi inspirado a procurar o lendário criador da Capoeira Regional. Viajou uma distância considerável do Polo Petroquímico de Camaçari, onde trabalhava, até o histórico bairro do Pelourinho em Salvador. Ele recorda ter sido uma pessoa tímida e medrosa na época: "Passava pela Baixa dos Sapateiros com medo e subia a ladeira com as pernas tremendo".
Quando bateu pela primeira vez na porta do Centro de Cultura Física Regional de Bimba, foi dispensado. Logo descobriu uma pequena placa na porta que dizia: "Visita, 2 mil cruzeiros. Mensalidade, 2 mil cruzeiros". Ao invés de pagar por uma mera visita, Cafuné decidiu pagar a mensalidade e voltou para se matricular como aluno. Bimba deu-lhe sua primeira aula naquele dia.
Desde sua primeira aula, Bimba transmitiu sabedoria que ia além da técnica física: "Quando você chegar em algum lugar, não entre imediatamente. Primeiro você observa, vê quando pode entrar, quando pode sair, tenha cuidado". Este ensinamento tornou-se uma filosofia orientadora para Cafuné: "Ele nos ensinou a ter respeito pelos espaços, ser mais observador, mais equilibrado—é algo com um significado muito amplo".
Cafuné permaneceu como aluno na academia de Bimba até a partida do mestre para Goiânia em 1971, desolado pela falta de apoio governamental na Bahia. Durante esse tempo, as cerimônias de batizado aconteciam aos domingos na academia do Nordeste de Amaralina. Foi em seu batizado que Bimba pessoalmente lhe deu o apelido: após o primeiro jogo de Cafuné em uma roda completa, o mestre declarou: "o nome dele é Cafuné—ele não joga capoeira, ele faz cafuné" (referindo-se a um carinho suave). E assim nasceu sua identidade na capoeira.
Cafuné formou-se em agosto de 1967, conquistando o direito de ensinar.
Na década de 1980, Cafuné buscou um lugar tranquilo para viver e mudou-se para Lauro de Freitas, um município ao norte de Salvador. Comprou um pequeno sítio às margens do Rio Ipitanga, que na época era limpo e cheio de peixes. Após uma parceria que não deu certo, eventualmente mudou-se para a comunidade de Araqui em Lauro de Freitas, onde estabeleceu sua marcenaria e continua residindo até hoje.
Cafuné tem três filhos e três netos. Pratica Candomblé, mantendo a conexão entre a capoeira e as tradições espirituais afro-brasileiras que era tão importante para o próprio Mestre Bimba.
Em dezembro de 2011, Cafuné publicou "Ele não joga capoeira, ele faz cafuné: histórias da academia do Mestre Bimba" pela EDUFBA (Editora da Universidade Federal da Bahia). O livro de 107 páginas reúne artigos originalmente escritos para uma revista especializada em capoeira, trazendo memórias, recordações e emoções de seu tempo como aluno de Bimba. Inclui um encarte fotográfico do mestre e apresenta um exame crítico da história da capoeira como "uma forma de luta do povo negro" durante a escravidão.
Cafuné é membro do Conselho Curador da Fundação Mestre Bimba. Ocupou três vezes o cargo de vice-presidente da fundação, uma vez como secretário e uma vez como diretor de relações públicas. Também trabalha com Mestre Nenel na Filhos de Bimba Escola de Capoeira, viajando por todo o Brasil e internacionalmente para conduzir oficinas e palestras para grupos de mais de 200 jovens.
Falando sobre o legado de Mestre Bimba, Cafuné esclareceu um equívoco comum: "Muitas pessoas dizem que Bimba morreu na miséria, mas isso não é exatamente verdade. Na época de sua morte, Bimba sustentava pelo menos três famílias em três casas separadas que ele possuía". Ele observa que Bimba tinha "mais de 200 discípulos e 600 alunos", mas lamenta que alguns alunos perderam a referência e pararam de praticar capoeira após a morte do mestre: "Ele era quem nos animava a continuar".
Para Cafuné, manter a Capoeira Regional viva é uma forma de resistência. Ele nota a dificuldade contínua em obter apoio efetivo para a capoeira, afirmando que "a classe política não valoriza a prática". Apesar desses desafios, ele continua a afirmar que a capoeira representa "um divisor de águas" em sua vida.
Em janeiro de 2024, aos 85 anos, Mestre Cafuné estava entre 14 mestres octogenários de capoeira homenageados no 5º Rede Capoeira em Salvador. Ele recebeu uma escultura simbólica do pássaro Sankofa ao lado de figuras lendárias incluindo Mestre João Grande (91), Mestre Acordeon (80), Mestre Boca Rica (87), Mestre Brandão (94) e Mestre Felipe de Santo Amaro (96).
No município de Lauro de Freitas onde reside, Cafuné colabora com grupos de capoeira existentes independentemente de praticarem Angola, Regional ou qualquer outro estilo—ajudando a organizar grupos através de palestras e participando de oficinas e cursos.
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Batizado por1
Cafuné recebeu o apelido Cafuné em um batizado conduzido por Bimba1967
Local: Nordeste de Amaralina, Salvador, Bahia, Brasil
Recebeu apelido na cerimônia de batizado no Nordeste de Amaralina. Bimba declarou: "o nome dele é Cafuné—ele não joga capoeira, ele faz cafuné" (um carinho suave).
Verificado[1][2]- [1]Há 100 anos, o baiano Mestre Bimba criou a capoeira regional, A Tarde, 18 de dezembro de 2018
- [2]MESTRE CAFUNÉ: "a capoeira representa um divisor de águas", Blog do Márcio Wesley, 11 de março de 2021
Aluno/a de1
Cafuné aluno/a de Bimba1966 – 1971
Começou a treinar em 1966 após ler entrevista de Bimba em jornal. Viajou do Polo Petroquímico de Camaçari ao Pelourinho. Formou-se em agosto de 1967. Permaneceu até Bimba partir para Goiânia em 1971.
Verificado[1][2][3]- [1]Há 100 anos, o baiano Mestre Bimba criou a capoeira regional, A Tarde, 18 de dezembro de 2018
- [3]Mestres | XIV Clínica de Capoeira do CEPEUSP, XIV Clínica de Capoeira do CEPEUSP, 2014
- [2]MESTRE CAFUNÉ: "a capoeira representa um divisor de águas", Blog do Márcio Wesley, 11 de março de 2021
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Associado a2
Cafuné teve ligação com Nenel1994 –
Cafuné trabalha com Nenel na Fundação Mestre Bimba (membro do Conselho Curador) e Filhos de Bimba Escola de Capoeira. Viajam juntos conduzindo oficinas.
Verificado[1]- [1]Há 100 anos, o baiano Mestre Bimba criou a capoeira regional, A Tarde, 18 de dezembro de 2018
Cafuné teve ligação com 5º Rede CapoeiraData desconhecida
Não verificado[4]- [4]Mais antigos mestres de capoeira do Brasil são homenageados em Salvador com presença da ministra Margareth Menezes, Catado de Cultura(acessado em 5 de outubro de 2026)
Foram homenageados: o Mestre João Grande (91), Mestre Acordeon (80), Mestre Boca Rica (87), Mestre Brandão (94), Mestre Felipe de Santo Amaro (96), Mestre Olavo (81), Mestre Pelé da Bomba (89), Mestre Brasília (81), Mestre Virgílio (89), Mestre Cafuné (85), Mestre Carcará (81), Mestre Curió (84), o carioca Mestre Celso (84) e Mestre Sombra (82).
- [4]Mais antigos mestres de capoeira do Brasil são homenageados em Salvador com presença da ministra Margareth Menezes, Catado de Cultura(acessado em 5 de outubro de 2026)
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Treinou em: Salvador, Bahia, Brasil
1966 –
Viveu em: Lauro de Freitas, Bahia, Brasil
1980 –
Treinou em: Nordeste de Amaralina, Salvador, Bahia, Brasil
período não registrado
Viveu em: Lauro de Freitas, Bahia, Brasil
período não registrado
Visitou: Salvador, Bahia, Brasil
janeiro de 2024 –
Visitou: Brasil
período não registrado
Visitou: Pelourinho, Salvador, Bahia, Brasil
período não registrado
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- declarações
- 4
- · 100%
- com fonte
- 0
- sem fonte
- 0
- contestadas
Relações por confiança
- Verificado: 3
- Não verificado: 1
Fontes citadas
- [1]Há 100 anos, o baiano Mestre Bimba criou a capoeira regional, A Tarde ×3citada 3 vezes
- [2]MESTRE CAFUNÉ: "a capoeira representa um divisor de águas", Blog do Márcio Wesley ×2citada 2 vezes
- [3]Mestres | XIV Clínica de Capoeira do CEPEUSP, XIV Clínica de Capoeira do CEPEUSP ×1citada 1 vez
- [4]Mais antigos mestres de capoeira do Brasil são homenageados em Salvador com presença da ministra Margareth Menezes, Catado de Cultura ×1citada 1 vez