Major Carlos Dória foi um patrono e fundador cuja visão trouxe o ensino formal de capoeira para Itabuna, na região cacaueira do sul da Bahia. Embora não fosse capoeirista, a fundação da Academia Cultura Física e Capoeira Major Dória em 1958 criou a base institucional que formaria várias figuras importantes na história da capoeira.
O título "Major" provavelmente indica sua patente no Exército Brasileiro. Em 1958, Major Dória estabeleceu um centro esportivo em Itabuna que oferecia várias artes marciais e atividades de cultura física, incluindo judô, karatê e capoeira. Segundo Mestre Suassuna, o prédio para esta academia foi cedido por Amélia Prado—uma mulher ligada à família do renomado escritor baiano Jorge Amado.
Para ensinar capoeira em sua academia, Major Dória recrutou Mestre Maneca Brandão, um formado de Mestre Bimba que havia treinado no Centro de Cultura Física Regional em Salvador. Maneca Brandão era filho de Ubaldino Brandão, um ex-prefeito de Itabuna, o que pode explicar a conexão que o trouxe para ensinar no estabelecimento do Major Dória. Mestre Zoião, colega de turma de Maneca Brandão na academia de Bimba, às vezes auxiliava nos treinamentos.
A academia se tornou o local de treinamento do jovem Reinaldo Ramos Suassuna—que mais tarde se tornaria Mestre Suassuna, cofundador do Cordão de Ouro e criador do Miudinho. Luís Oliveira Rocha (posteriormente Mestre Medicina, fundador do Grupo Raça) também treinou lá. Através desses alunos e outros, a academia do Major Dória desempenhou um papel na transmissão da metodologia de Mestre Bimba para a região cacaueira do sul da Bahia.
Major Dória representa uma categoria de não-praticantes que, no entanto, se mostraram importantes para o desenvolvimento da capoeira: patronos que forneceram infraestrutura, legitimidade e recursos que permitiram aos mestres ensinar e aos alunos aprender em ambientes formais durante uma era em que a capoeira ainda estava encontrando seu caminho da prática de rua para atividade cultural reconhecida.