Pessoa
Mestre Barba Branca
Gilberto Reis Ferreira dos Santos Filho
28 de março de 1956 – 13 de novembro de 2021
Nasceu em Canavieiras, Bahia, Brasil
Faleceu em Salvador, Bahia, Brasil
7
- Vida
- Título recebido
- Linhagem (treino, títulos concedidos)
- Locais
Momentos datados desta trajetória, do corpus.1 momento sem data está na seção Relações
- 195628 de março de 1956Nascimento · Canavieiras, Bahia, Brasil
- 1967Treinou em Liberdade, Salvador, Bahia, Brasil · aos 11
- 1967Começou a treinar com Traíra · aos 11 · evidência
- 1981Começou a treinar com João Pequeno · aos 25 · evidência
- 1994Título de Mestre, concedido por João Pequeno · aos 38 · evidência
- 1998Ensinou em Finlândia · aos 42
- 202113 de novembro de 2021Falecimento · aos 65
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Aprendeu com · 2
Mestre Mestre João Pequeno
1917 – 201127 de dezembro de 1917 – 9 de dezembro de 2011
MestreBarba Branca
Gilberto Reis Ferreira dos Santos Filho nasceu em 28 de março de 1956 em Canavieiras, cidade litorânea no sul da Bahia. Mudou-se para Salvador ainda criança, onde foi oficialmente registrado. Sua jornada na capoeira começou em 1967, aos 10-11 anos, no bairro da Liberdade—o coração histórico da Salvador negra e lar de incontáveis rodas lendárias.
Seu primeiro professor foi Mestre Traíra, um dos angoleiros mais elegantes e formidáveis de sua geração, elogiado por Jorge Amado como comparável a Pastinha na beleza dos movimentos. A iniciação do jovem Gilberto não foi fácil. Antes de cada roda, Traíra visitava a casa do menino para pedir permissão à sua mãe. Ela, mantendo uma visão negativa da capoeira comum entre famílias respeitáveis da época, sempre recusava. Isso forçava o jovem Gilberto a fugir escondido para a casa de seu mestre, retornando apenas à noite após o término da roda—quando comumente apanhava de sua mãe ao chegar. Foi assim que Mestre Barba Branca foi iniciado na Capoeira Angola.
As rodas de Traíra na Rua do Céu, na Liberdade, eram notórias pela intensidade. Como Barba Branca relembrou depois, eram "violentas", com constantes cabeçadas no rosto e rasteiras. A roda acontecia em terra batida, e galinhas cruzavam pelo meio enquanto as pessoas jogavam. Traíra ensinava apenas por convite—um grupo seleto de adultos e crianças.
Por volta de 1975, Traíra faleceu de cirrose hepática, deixando o jovem Gilberto temporariamente sem mestre. Por aproximadamente seis anos, ele continuou praticando o que havia aprendido, desenvolvendo seu próprio entendimento da arte. Então, em 1981, foi acolhido no Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA) por Mestre João Pequeno de Pastinha—um dos dois principais herdeiros do legado de Pastinha, ao lado de João Grande.
Para Barba Branca, conhecer João Pequeno foi transformador. "Foi como abrir minha mente para a grande filosofia da capoeira angola", refletiu depois. Os ideais de luta sem agressão física entre iguais, união e respeito entre angoleiros, e pensar e interpretar dimensões físicas e espirituais da vida através da capoeira—todos se tornaram fundamentos adotados dos ensinamentos de João Pequeno.
Em 1984, ainda como contra-mestre, Barba Branca fundou o Grupo de Capoeira Angola Cabula (GCAC) no bairro do Cabula, em Salvador. O grupo adotou como escudo uma obra cedida pelo pintor Carybé (Hector Julio Páride Bernabó, 1911-1997), o famoso artista argentino-brasileiro com quem Barba Branca mantinha grande amizade. Esta conexão com um dos artistas mais celebrados da Bahia destacava a posição de Barba Branca na elite cultural de Salvador.
Em 1987, participou das reuniões de fundação da Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA), primeira associação dedicada a preservar e promover a Capoeira Angola no Brasil. Mais tarde se tornaria seu presidente em 1993, quando a organização foi formalmente refundada em 23 de agosto.
Apesar de já viver a capoeira há quase 15 anos, foi no CECA onde Barba Branca foi formalmente reconhecido como mestre, em 1994, pelo próprio Mestre João Pequeno. Algumas fontes citam 1991 ou 1992—a discrepância provavelmente reflete reconhecimento informal versus cerimônia formal.
Seguindo a tradição de resistência do Cabula, em 1993 Barba Branca iniciou uma importante parceria com o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, um dos terreiros de Candomblé mais sagrados do Brasil, sob direção da ialorixá Mãe Stella de Oxóssi. Ele ensinava capoeira para crianças e adolescentes em São Gonçalo do Retiro, a comunidade ao redor do terreiro. Foi lá que seus discípulos Mestre Olhos de Anjo e Mestre Saúva começaram seu treinamento, junto com os contramestres Barbeirinho, Rato e Mão Dez.
Em 1998, deu aulas na Finlândia junto com Mestre Zé do Lenço. Em 2001, durante um workshop em Lyon, conheceu um grupo de jovens que se tornariam seus discípulos europeus. Em 2002, GCAC France foi formalmente estabelecido, com filiais se desenvolvendo em Lyon, Grenoble e Ardèche. Em 2011, gravou o CD "Tudo na paz, só alegria!" em Grenoble.
Seu legado cruzou muitas fronteiras. Além da França, fundou filiais do GCAC em Buenos Aires, Argentina (2016) e Montevidéu, Uruguai (2018), espalhando a tradição Angola pela América do Sul e Europa.
Mestre Barba Branca sofreu um AVC em 2019, que o deixou necessitando de reabilitação contínua. Faleceu em 13 de novembro de 2021, aos 64 anos, em Salvador, enquanto internado em uma clínica de reabilitação. A causa da morte foram complicações de cirrose hepática e problemas cardiovasculares. Notavelmente, morreu na mesma data em que Mestre Pastinha havia morrido quarenta anos antes—13 de novembro.
Foi sepultado em 14 de novembro de 2021 no Cemitério Bosque da Paz em Salvador. Deixou esposa e três filhos.
Seu legado continua através de seus discípulos, especialmente Mestre Olhos de Anjo, fundador do Grupo de Capoeira Angola Folha do Cajueiro, e Mestre Saúva, a quem Barba Branca confiou pessoalmente a responsabilidade de continuar o GCAC.
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Recebeu títulos de1
Barba Branca recebeu o título de Mestre de João Pequeno1994
Formalmente reconhecido como mestre no CECA. Algumas fontes citam 1991 ou 1992; usando 1994 per Velhos Mestres. Apesar de 15 anos na capoeira, reconhecimento formal veio no CECA.
Aluno/a de2
Barba Branca aluno/a de Traíra1967 – 1975
Começou a aprender aos 10-11 anos no bairro da Liberdade. Mãe desaprovava; fugia para as rodas e apanhava ao voltar para casa. Traíra morreu de cirrose ~1975.
Barba Branca aluno/a de João Pequeno1981 – 9 de dezembro de 2011
Acolhido no CECA após ~6 anos sem mestre. Conhecer João Pequeno foi transformador - "abrir minha mente para a grande filosofia da capoeira angola". Estudou 13 anos até ser reconhecido como mestre 1994. João Pequeno morreu 9 dez 2011.
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Associado a2
Barba Branca teve ligação com Pelé da Bomba
Pelé da Bomba e Barba Branca foram fotografados juntos em eventos da ABCA em Salvador.
Barba Branca teve ligação com Ilê Axé Opô Afonjá
Não verificado[3]- [3]Mestre Barba Branca, expoente da capoeira angola, morre aos 64 anos, A Tarde(acessado em 5 de outubro de 2026)
o grupo manteve longa parceria com o Terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, ainda sob o comando da ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, para ensinar capoeira às crianças e adolescentes da comunidade do bairro de São Gonçalo.
- [3]Mestre Barba Branca, expoente da capoeira angola, morre aos 64 anos, A Tarde(acessado em 5 de outubro de 2026)
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Treinou em: Liberdade, Salvador, Bahia, Brasil
1967 –
Ensinou em: Finlândia
1998 –
Viveu em: Salvador, Bahia, Brasil
período não registrado
- 5
- declarações
- 4
- · 80%
- com fonte
- 1
- sem fonte
- 0
- contestadas
Relações por confiança
- Verificado: 2
- Provável: 2
- Não verificado: 1
Fontes citadas
- [1]velhosmestres.com: destaques 60 ×3citada 3 vezes
- [2]capoeira.fandom.com: mestre barba branca ×2citada 2 vezes
- [3]Mestre Barba Branca, expoente da capoeira angola, morre aos 64 anos, A Tarde ×1citada 1 vez