Pessoa
Mestre Pelé da Bomba
Natalício Neves da Silva
25 de dezembro de 1934 – 26 de outubro de 2024
Nasceu em Governador Mangabeira, Bahia, Brasil
Faleceu em Salvador, Bahia, Brasil
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- Vida
- Linhagem (treino, títulos concedidos)
- Locais
Momentos datados desta trajetória, do corpus.2 momentos sem data estão na seção Relações
Natalício Neves da Silva nasceu no dia de Natal, 25 de dezembro de 1934, no distrito de Cipoá, município de Governador Mangabeira, no interior do Recôncavo Baiano. Filho de Cosme Neves e Dona Isaura, o jovem Natalício aprendeu cedo o trabalho duro da sobrevivência—fazendo carvão, colhendo mandioca e trabalhando a terra ao lado do pai.
Aos doze anos, Natalício começou a vender mercadorias nos mercados da capital baiana. Isso o trouxe à rampa do antigo Mercado Modelo, perto da igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, onde encontrou os lendários capoeiristas da velha Bahia. Lá conheceu Mestre Bugalho, um carregador de embarcações que se tornaria seu mestre. Durante as horas de descanso e nas noites de lua, Bugalho ensinava o menino a gingar nas areias da Praia da Preguiça. "Segui a tradição do meu mestre, Bugalho," diria Pelé mais tarde, "um grande tocador de berimbau. Ele era um dos melhores."
Natalício frequentava as lendárias rodas da época: o barracão de palha de Mestre Waldemar em Pero Vaz (Corta Braço), as rodas das tardes de domingo dirigidas por Zacarias Boa Morte, e as festas de Nossa Senhora da Conceição e Santa Luzia. Quando chegava ao barracão de Waldemar, o mestre o cumprimentava: "Lá vem Satanás!". Entre os bambas daquela geração de ouro estavam Waldemar da Liberdade, Caiçara, Traíra, Onça Preta, Sete Mola, Cabelo Bom e Bom Cabelo (os gêmeos), Angolinha, Avani, e Bel e Del.
Aos 24 anos, em 1958, Natalício foi reconhecido como mestre—numa época em que era o povo que dava ao capoeirista o título de mestre. Seu apelido "da Bomba" veio de sua filiação ao Corpo de Bombeiros. A partir de 1959, deu aulas no Exército (Região Companhia do QG), e a partir de 1966 no Corpo de Bombeiros e na Polícia Militar. "Naqueles tempos, era comum policial treinar capoeira," recordava.
Durante 25 anos, Pelé da Bomba ensinou capoeira enquanto participava de importantes grupos folclóricos baianos. Integrou o Viva Bahia, fundado pela etnomusicóloga Emília Biancardi em 1962, e se apresentou com o grupo de Mestre Canjiquinha no Belvedere da Praça da Sé, mostrando capoeira, maculelê, puxada de rede e samba de roda para turistas. Apresentou-se nas grandes festas de largo da Bahia: Conceição da Praia, Boa Viagem e Lavagem do Bomfim.
Em janeiro de 1964, o fotógrafo H. Rautavaara documentou Pelé da Bomba na celebração da Segunda-Feira Gorda na Ribeira, capturando-o em fotografias e vídeo—usando um berimbau vermelho, um boné dourado e um cigarro na boca.
Por volta de 1981, uma doença forçou Pelé a se afastar do ensino. Quase vinte anos depois, a Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA) o trouxe de volta através de sua iniciativa de resgate dos velhos mestres. Ele serviu no Conselho de Mestres da ABCA e posteriormente tornou-se presidente da organização. Operou a Academia de Capoeira Angola no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, no centro histórico de Salvador.
Em 2003, Pelé participou da gravação do CD "Lenço de Seda - Antologia de Ladainhas e Corridos." Ele viria a gravar três CDs e um DVD, documentando sua notável voz para a posteridade. Em 2010, publicou sua autobiografia "O Pelé da Capoeira," lançada no Forte de Santo Antônio Além do Carmo.
A Faculdade Dom Pedro II em Salvador o honrou com o título de "Notório Saber" como "Guardião do Conhecimento Afrodescendente."
Pelé da Bomba carregava as memórias da era de ouro da capoeira. Cantou nos funerais e missas de sétimo dia de seus contemporâneos—Caiçara, Bom Cabrito, Zacarias Boa Morte—sua voz de ouro marcando a passagem deles. Defendeu incansavelmente benefícios de aposentadoria para mestres acima de 65 anos com mais de 35 anos de prática.
Mestre Pelé da Bomba morreu em 26 de outubro de 2024, aos 89 anos. A Secretaria de Cultura da Bahia declarou: "Pelé da Bomba deixa um legado significativo para a cultura baiana." Sua família o descreveu como "uma lenda e figura icônica da Capoeira Angola, bem como um pilar essencial da cultura afro-brasileira."
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Concedeu títulos a1
Pelé da Bomba concedeu o título de Mestre a Índio
Pelé da Bomba reconheceu Índio como mestre, supostamente dizendo: "Pode ir para o mundo, você é Mestre de Capoeira". Data desconhecida mas provavelmente antes de 1968 quando ele fundou o Grupo Oxóssi.
Verificado[1]- [1]grupoliberdadecapoeira.com.br: linhagem mestres(acessado em 2 de novembro de 2026)
Mestre Pelé da Bomba formou Mestre Índio dizendo: Pode ir para o mundo você é Mestre de Capeoira
- [1]grupoliberdadecapoeira.com.br: linhagem mestres(acessado em 2 de novembro de 2026)
Aluno/a de1
Pelé da Bomba aluno/a de Bugalho1946 – 26 de outubro de 2024
Pelé da Bomba começou a aprender capoeira aos 12 anos (1946) com Mestre Bugalho na rampa do antigo Mercado Modelo em Salvador. Bugalho, um carregador de embarcações, ensinava-o a gingar durante as horas de descanso e nas noites de lua na Praia da Preguiça. Pelé disse: "Segui a tradição do meu mestre, Bugalho, um grande tocador de berimbau. Ele era um dos melhores."
Teve como alunos/as1
Pelé da Bomba teve como aluno/a Índio
Relação primária mestre-aluno. Pelé da Bomba (Natalício Neves da Silva) ensinou capoeira a Índio em Salvador. Múltiplas fontes confirmam essa linhagem. Pelé da Bomba supostamente disse-lhe: "Pode ir para o mundo, você é Mestre de Capoeira".
Verificado[3]- [3]Mestre Índio, Capoeira do Mercado(acessado em 2 de novembro de 2026)
siendo discípulo de Mestre Pelé da Bomba, un gran Angolero mundialmente reconocido
- [3]Mestre Índio, Capoeira do Mercado(acessado em 2 de novembro de 2026)
Treinou sob1
Pelé da Bomba treinou sob a orientação de Waldemar
Pelé da Bomba frequentava o lendário barracão de Mestre Waldemar em Pero Vaz (Corta Braço), bairro da Liberdade. Quando Pelé chegava, Waldemar o cumprimentava: "Lá vem Satanás!". Participava das rodas, mas Bugalho era seu mestre principal.
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Associado a11
Pelé da Bomba teve ligação com João Pequeno
Pelé da Bomba e João Pequeno ambos serviram no Conselho de Mestres da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola). Foram fotografados juntos em eventos da ABCA. Ambos operavam academias no Forte de Santo Antônio Além do Carmo.
Pelé da Bomba teve ligação com Barba Branca
Pelé da Bomba e Barba Branca foram fotografados juntos em eventos da ABCA em Salvador.
Pelé da Bomba teve ligação com Boa Gente
Pelé da Bomba e Boa Gente foram fotografados juntos em eventos da ABCA em Salvador.
Pelé da Bomba teve ligação com Gato Preto
Pelé da Bomba e Gato Preto eram contemporâneos na comunidade de capoeira de Salvador. Foram fotografados juntos em eventos da ABCA.
Pelé da Bomba teve ligação com Môa do Katendê
Ambos serviram na liderança da ABCA (Môa como Diretor Cultural 1998-2002, Presidente 2003; Pelé da Bomba como Presidente). Fotografados juntos em vários eventos.
Pelé da Bomba teve ligação com Segunda-Feira Gorda (Fat Monday) carnival celebrationsData desconhecida
Não verificado[2]- [2]Velhos Mestres - Destaques, 1964 entry(acessado em 5 de outubro de 2026)
Em janeiro aparece nas fotos e num video de H. Rautavaara da festa da (Segunda-Feira Gorda da) Ribeira.
- [2]Velhos Mestres - Destaques, 1964 entry(acessado em 5 de outubro de 2026)
Pelé da Bomba teve ligação com Canjiquinha
Pelé da Bomba se apresentava com o grupo de Mestre Canjiquinha no Belvedere da Praça da Sé, fazendo shows para turistas com capoeira, maculelê, puxada de rede e samba de roda.
Pelé da Bomba teve ligação com Bom Cabrito
Pelé da Bomba era contemporâneo de Mestre Bom Cabrito. Quando Bom Cabrito morreu, Pelé cantou emocionado em seu funeral.
Pelé da Bomba teve ligação com Caiçara
Pelé da Bomba era contemporâneo de Mestre Caiçara. Quando Caiçara morreu, Pelé cantou emocionado em seu funeral e missa de sétimo dia.
Pelé da Bomba teve ligação com Zacarias Boa Morte
Pelé da Bomba frequentava as rodas das tardes de domingo dirigidas por Zacarias Boa Morte em Salvador. Posteriormente cantou no funeral e missa de sétimo dia de Zacarias.
Pelé da Bomba teve ligação com Gildo Alfinete
Pelé da Bomba e Gildo Alfinete foram fotografados juntos em eventos da ABCA em Salvador.
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Atuou em: Salvador, Bahia, Brasil
1946 –
- 15
- declarações
- 5
- · 33%
- com fonte
- 10
- sem fonte
- 0
- contestadas
Relações por confiança
- Verificado: 6
- Provável: 8
- Não verificado: 1
Fontes citadas
- [1]grupoliberdadecapoeira.com.br: linhagem mestres ×1citada 1 vez
- [2]Velhos Mestres - Destaques ×2citada 2 vezes
- [3]Mestre Índio, Capoeira do Mercado ×1citada 1 vez
- [4]Featured: Mestre Moa do Katendê, Velhos Mestres ×1citada 1 vez