Pessoa
Seu Júlio
Julio de Almeida
1930 – 2018
Nasceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Faleceu em Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasil
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- Vida
- Linhagem (treino, títulos concedidos)
- Locais
- década ou incerto
Momentos datados desta trajetória, do corpus.
- 1930Nascimento · Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
- anos 1950Começou a treinar com Boa Viagem · evidência
- 1958Viveu em Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil · aos 28
- 2018Falecimento · aos 88
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Julio de Almeida, conhecido como Seu Júlio, foi um capoeirista que se tornou o último prisioneiro da infame colônia penal Cândido Mendes na Ilha Grande. Nascido em Petrópolis nas montanhas acima do Rio de Janeiro, ele foi para a "Cidade Maravilhosa" quando adolescente, sobrevivendo com pequenos trabalhos antes de entrar para o crime nas praias de Copacabana e Flamengo.
Antes de sua prisão, Júlio morava na favela da Catacumba, empoleirada nos morros com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas. Lá ele praticava capoeira, corrida e boxe com "nortistas"—migrantes da Bahia que haviam trazido suas tradições de luta para o sul. Entre seus parceiros de treino estava "um amigo conhecido como Boa Viagem," que também acabaria em Dois Rios.
"Eu roubava, eu matava, tudo para sobreviver," Júlio admitiu mais tarde. Em 1958, aos 27 anos, foi condenado e brevemente preso no Rio antes de escapar. Após recaptura, recebeu uma sentença mais severa de 28 anos por roubo, homicídio e tentativa de fuga. Foi enviado para a Colônia Correcional de Dois Rios—apelidada de "Caldeirão do Diabo"—onde alcoólatras, mendigos, sem-teto e capoeiristas de todo o Brasil eram encarcerados.
Em 1963, Júlio retornou a Dois Rios com uma sentença superior a 60 anos. Apesar de seu passado criminoso, ganhou confiança por bom comportamento e começou a trabalhar nas cozinhas da prisão, eventualmente cozinhando para mais de 1.000 detentos. A cozinha era uma posição cobiçada e perigosa—como ele testemunhou mais tarde, funcionava como "o ponto de entrada para drogas e armas."
Durante suas décadas em Dois Rios, Júlio encontrou figuras lendárias do submundo carioca. Ele conheceu Madame Satã quando ambos viajaram ao Rio de Janeiro para testemunhar em processos judiciais. Ele descreveu Satã como "afeminada" com "um corpo parecido com o meu, um pouco mais alta, um pouco mais clara de pele... uma moça tranquila, calma, não era agressiva... muito habilidosa no trabalho... lavava roupas, tudo dos negócios das roupas do diretor... criava porcos."
Na colônia, a arte da luta era chamada de "tiririca" em vez de capoeira. Como Júlio explicou em uma entrevista de 2012 aos 82 anos: "capoeira e tiririca significam uma coisa só, depende muito do professor e da leveza, da instrução—isso era diferente da capoeira." Seu relato revelou que prisioneiros mais velhos com conhecimento de luta transmitiam técnicas aos mais jovens, evitando deliberadamente o termo estigmatizado "capoeira."
Quando o Instituto Penal Cândido Mendes foi demolido com explosivos em 1994, Júlio foi libertado. Um ex-morador descreveu as detonações como "uma bomba atômica explodiu no meu coração." Sem ter para onde ir, Júlio escolheu ficar em Vila Dois Rios, o único lar que conhecera por décadas. Viveu lá com sua família, fazendo viagens periódicas para se apresentar ao juiz, finalmente ganhando liberdade definitiva em 2014.
Em seus últimos anos, Júlio trabalhou como guardião das ruínas da prisão, sentado no terraço do café de Teresa da Silva com as paredes desmoronando de Cândido Mendes visíveis atrás dele. Mais de um século após a inauguração da prisão, "o velho já não parecia prestar atenção" à sua terrível reputação. Ele morreu em 2018, sessenta anos após chegar pela primeira vez na ilha da qual uma vez tentou escapar.
A entrevista de Seu Júlio em 2012, documentada pelo projeto Capoeira Contemporânea, permanece uma fonte primária inestimável para entender a transmissão da capoeira/tiririca no sistema prisional do Rio e o treinamento informal que ocorria nas favelas ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas em meados do século XX.
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Treinou sob1
Seu Júlio treinou sob a orientação de Boa Viagemanos 1950 – 1958
Treinaram juntos na favela da Catacumba e Lagoa Rodrigo de Freitas antes da prisão. Seu Júlio descreveu Boa Viagem como "um amigo" com quem praticava capoeira.
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Associado a1
Seu Júlio teve ligação com Madame Satã1958 –
Conheceram-se na prisão de Dois Rios; viajaram juntos ao Rio de Janeiro para testemunhar em tribunal. Seu Júlio forneceu testemunho detalhado sobre o trabalho e comportamento de Satã na prisão (tarefas domésticas, criação de porcos, alojamento privilegiado).
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Viveu em: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
1958 –
Visitou: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
período não registrado
- 2
- declarações
- 2
- · 100%
- com fonte
- 0
- sem fonte
- 0
- contestadas
Relações por confiança
- Verificado: 1
- Provável: 1
Fontes citadas
- [1]capoeirahistory.com: the imprisonment of capoeiras on ilha grande ×1citada 1 vez
- [2]journals.openedition.org: 4101 ×1citada 1 vez