Pessoa
Mestre Boca Rica
Manoel Silva
1936 –
Nasceu em Maragogipe, Bahia, Brasil
5
- Vida
- Linhagem (treino, títulos concedidos)
- Grupos
- Locais
- década ou incerto
- sem data de fim
Momentos datados desta trajetória, do corpus.1 momento sem data está na seção Relações
4
Aprendeu com · 2
Mestre Mestre Waldemar
1916 – 199022 de fevereiro de 1916 – 16 de março de 1990
MestreBoca Rica
→Alunos e alunas · 2
Manoel Silva nasceu em 26 de novembro de 1936, em Maragogipe, na região do Recôncavo Baiano. Seus pais foram Palmira e Cândido Silva. Aos doze anos, descobriu a capoeira. Aos quinze, no início dos anos 1950, mudou-se para Salvador, onde sua vida seria transformada pela arte.
Em 1952, o jovem Manoel começou a treinar no Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), a lendária academia de Mestre Pastinha na Praça do Pelourinho. Foi o próprio Pastinha quem lhe deu o apelido "Boca Rica"—por causa dos dentes de ouro que ocupavam toda a parte superior de sua boca, uma marca de status naquela época. O nome ficou, e se tornaria conhecido em cinco continentes.
Além do CECA, Boca Rica frequentava o famoso barracão de Mestre Waldemar no Passeio de Aguinelo no bairro da Liberdade, e outras rodas por toda Salvador. Absorvia conhecimento onde quer que encontrasse, buscando mestres realizados e diferentes tradições. Em entrevistas, descreveu Pastinha como "um filósofo" e "meu segundo pai", explicando que Pastinha ensinava sistematicamente—instruindo os alunos sobre ritmos, seus nomes e aplicações. Suas referências musicais tornaram-se tríplices: Mestre Pastinha para tradição, Mestre Waldemar da Paixão para canto, e Mestre Bimba para os sons do Regional.
Boca Rica acompanhou Pastinha até os últimos dias do mestre. Depois que Pastinha ficou cego, Boca Rica levava seus alunos para se apresentar na academia no Pelourinho. Pastinha supostamente ainda tocava "pelo tato" apesar de sua cegueira. Boca Rica comprometeu-se a espalhar o legado de Pastinha, dizendo ao seu mestre: "por onde eu for, seu nome está sendo espalhado".
Os anos 1960 viram Boca Rica aparecer em fotografias nas ruas da Liberdade ao lado dos grandes mestres da época—João Pequeno, Waldemar, Curió, Bigodinho e Olavo. Participou da gravação do filme "O Pagador de Promessas" (1962), o vencedor da Palma de Ouro que levou a capoeira às telas internacionais. Em 1988, participou do evento Velha Guarda da Bahia em Fortaleza no Colégio Militar, juntando-se aos mestres Waldemar e Curió.
Em 1970, Boca Rica fundou a Escola de Capoeira Angola da Bahia (ECAB) no Forte de Santo Antônio Além do Carmo em Salvador—o forte histórico que hoje serve como centro cultural Forte da Capoeira. A escola continua a funcionar diariamente, um templo de aprendizado, música e tradição. Sua organização reporta 10 mestres, 5 contra-mestres, 5 professores e aproximadamente 50 alunos formados. A escola mantém operações na Bahia, Goiás e internacionalmente na Inglaterra.
A capoeira levou Boca Rica pelo mundo. Viajou para mais de 50 países e visitou todos os estados brasileiros exceto Piauí e sul do Maranhão. Entre suas experiências mais notáveis: apresentar-se para a Rainha Elizabeth II e a Princesa da Dinamarca, receber o título de "Notório Saber" (um reconhecimento acadêmico) do Colégio D. Pedro II de Salvador, e ser agraciado com a Medalha Thomé de Souza pela Câmara Municipal de Salvador em 2018.
Como artista de gravação, Boca Rica lançou mais de 14 álbuns dedicados à capoeira. Em 2000, gravou um CD colaborativo "Capoeira Angola" com Mestre Bigodinho—37 canções capturando a tradição do samba-de-roda que ambos os mestres amavam. Outros lançamentos incluem "A Poesia de Boca Rica" (2000) e "Vencedor de Demanda" (2019). Sua voz tornou-se inconfundível em cantigas como "Mandei caiar meu sobrado", "Maranhão", e "Sambalelê bateu na porta".
Boca Rica serviu no conselho da ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola), a principal organização de Angola no Brasil, ajudando a preservar e promover a arte tradicional. Capoeiristas e pesquisadores de todo o mundo continuam a viajar para Salvador para aprender e encontrá-lo no Forte da Capoeira.
Em 2020, uma biografia foi publicada: "Manoel Silva Mestre Boca Rica - Histórias e Lições de Vida, Preciosidade da Capoeira", de autoria de Thercio Sabino (CM Coelho) e Luiz Normanha. O livro reúne seus relatos, falas e documentos, preservando para gerações futuras o enorme legado deste fiel discípulo de Mestre Pastinha.
Aos 88 anos, Boca Rica permanece ativo nas rodas de capoeira, ainda cantando e encantando audiências com a profunda filosofia e musicalidade que herdou de Pastinha. Sua mensagem para as gerações mais jovens: "não deixem essa capoeira morrer".
8
4
Aluno/a de1
Boca Rica aluno/a de Pastinha1952 – 13 de novembro de 1981
Aluno direto de Mestre Pastinha no CECA de 1952 até a morte de Pastinha em 1981. Boca Rica descreveu Pastinha como "um filósofo" e "meu segundo pai". Acompanhou Pastinha até seus últimos dias e continuou a espalhar seu legado.
Verificado[1][2]- [1]capoeira-connection.com interview (referência incompleta)
- [2]https://velhosmestres.com/br/destaques-18, timeline entry 1952(acessado em 2 de novembro de 2026)
Veio pra Salvador e se afiliou na Academia de mestre Pastinha.
Treinou sob1
Boca Rica treinou sob a orientação de Waldemaranos 1950 – 16 de março de 1990
Frequentava o famoso barracão de Mestre Waldemar no Passeio de Aguinelo no bairro da Liberdade. Aprendeu toques de berimbau com Waldemar junto com seu treino principal com Pastinha.
Orientou o treino de2
Boca Rica orientou o treino de Laércio1984 –
Grupo GCFA passou um bom tempo com Boca Rica. Depois dividiram uma sala no Forte Santo Antônio com ele por dois anos.
Boca Rica orientou o treino de Marromanos 1990 –
Parte da pesquisa e colaboração de Marrom com mestres da velha guarda nos anos 1990; gravaram CDs juntos. Boca Rica era um dos mestres mais velhos que Marrom procurou para preservar conhecimentos tradicionais.
1
Membro de1
Boca Rica integrou Centro Esportivo de Capoeira Angola1952 –
Não verificado[2]- [2]https://velhosmestres.com/br/destaques-18, 1952 entry(acessado em 22 de outubro de 2026)
Veio pra Salvador e se afiliou na Academia de mestre Pastinha.
- [2]https://velhosmestres.com/br/destaques-18, 1952 entry(acessado em 22 de outubro de 2026)
3
Associado a3
Boca Rica teve ligação com Curió1988 –
Ambos participaram do evento Velha Guarda em Fortaleza em 1988.
Boca Rica teve ligação com Bigodinhoanos 1980 –
Colaboradores musicais próximos. Gravaram CD colaborativo "Capoeira Angola" juntos em 2000 (37 cantigas). Ambos compartilhavam paixão pelo samba-de-roda. Fotografados juntos com outros mestres nos anos 1960. Participaram juntos do evento Velha Guarda de 1988.
Boca Rica teve ligação com Bigodinho2000 – c. 2002
Gravaram juntos o CD "Capoeira Angola" por volta de 2000-2002. Ambos eram mestres da velha guarda da geração Pastinha/Waldemar, representando a continuidade da tradição Angola.
2
Viveu em: Salvador, Bahia, Brasil
1950 –
Ensinou em: Pelourinho, Salvador, Bahia, Brasil
período não registrado
- 8
- declarações
- 5
- · 63%
- com fonte
- 3
- sem fonte
- 0
- contestadas
Relações por confiança
- Verificado: 7
- Não verificado: 1
Fontes citadas
- [1]capoeira-connection.com interview ×1citada 1 vez
- [2]https://velhosmestres.com/br/destaques-18 ×2citada 2 vezes
- [3]filhosdeangola.eu: biografie ×1citada 1 vez
- [4]capoeirahistory.com: master marrom ×1citada 1 vez
- [5]Mestre Curió, Velhos Mestres ×1citada 1 vez