Pessoa
Juvêncio
anos 1890 – ?
Nasceu em Recôncavo Baiano, Bahia, Brasil
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Juvêncio
→Alunos e alunas · 3
Juvêncio era um capoeirista da classe trabalhadora do Recôncavo Baiano que combinava seus ofícios profissionais com o ensino informal de capoeira. Trabalhava tanto como ferreiro na Fazenda São Pedro em Mata de São João quanto como estivador em São Félix—duas das ocupações tradicionais que espalharam a capoeira pelas regiões costeiras e agrícolas da Bahia.
Em São Félix, cidade às margens do Rio Paraguaçu, adjacente a Cachoeira, Juvêncio organizava rodas nas docas durante festas religiosas, particularmente as celebrações da Igreja de São Deus Menino e Senhor São Félix. Segundo Mestre Ananias, que começou a aprender nessas rodas em 1938: "Juvêncio era o mestre. Ele era estivador e fazia capoeira na beira do cais de São Félix... Ninguém ensinava, mas o mestre mesmo era o Juvêncio, todo mundo se reunia e pronto".
Esta descrição captura a natureza informal e comunitária da transmissão da capoeira no Recôncavo antes da era das academias formais. A roda em São Félix reunia praticantes incluindo João de Zazá, os irmãos Toy e Roxinho, os irmãos Alvelino e Santos de Muritiba, Caial, e Estevão—um vigia da fábrica de charutos "Letialvi" que Ananias lembrava como tendo "capoeira perversa". Traíra de Cachoeira e Café também participavam desses encontros.
Na Fazenda São Pedro em Mata de São João, Juvêncio trabalhava como ferreiro e apresentou o jovem João Pequeno à capoeira durante a década (1933-1943) que João Pequeno passou trabalhando na plantação de cana-de-açúcar como chamador de boi. Este foi o primeiro contato de João Pequeno com a arte que definiria sua carreira de 79 anos de ensino.
Juvêncio representa a geração-ponte entre a era lendária de Besouro Mangangá (que morreu em 1924) e as academias formais de Pastinha e Waldemar. Através de seu ensino informal, ele influenciou vários praticantes que se tornariam figuras importantes de linhagem: João Pequeno se tornaria um dos dois principais herdeiros de Pastinha; Ananias fundaria a famosa Roda da Praça da República em São Paulo; e Traíra gerenciaria a roda de Mestre Waldemar e gravaria um LP histórico.
O fato de Juvêncio trabalhar em múltiplos locais—Mata de São João (60km ao norte de Salvador na costa) e São Félix (no Recôncavo)—reflete a mobilidade dos baianos da classe trabalhadora que se moviam entre plantações agrícolas, portos fluviais e cidades costeiras em busca de emprego. Esta mobilidade também ajudou a espalhar a capoeira pela região.
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Juvêncio orientou o treino de João Pequeno1933 – 1943
Primeiro contato de João Pequeno com a capoeira. Na Fazenda São Pedro em Mata de São João, onde trabalhou como chamador de boi por dez anos (1933-1943), conheceu Juvêncio, um ferreiro e capoeirista, que o apresentou à arte.
Juvêncio orientou o treino de Traíra1938 – 1947
O primeiro contato de Traíra com a capoeira foi nas rodas de Mestre Juvêncio em São Félix, por volta de 1938. Mestre Ananias encontrou Traíra nesses encontros nas docas durante as festas. Treinamento informal antes de seu estudo formal com Waldemar começando em 1947.
Teve como alunos/as1
Juvêncio teve como aluno/a Ananias1938 – 21 de julho de 2016
Primeiro professor de capoeira nas rodas informais nas docas durante festas religiosas em São Félix. "Juvêncio era o mestre. Ele era estivador e fazia capoeira na beira do cais de São Félix... Ninguém ensinava, mas o mestre mesmo era o Juvêncio, todo mundo se reunia e pronto".
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Ensinou em: São Félix, Bahia, Brasil
período não registrado
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Relações por confiança
- Verificado: 2
- Provável: 1
Fontes citadas
- [1]Capoeira Connection (Ananias interview) ×1citada 1 vez