Angélica Endiabrada teve ligação com Saloméanos 1910 – anos 1920
Valentona contemporânea de Salomé. Ambas listadas entre as lendárias capoeiristas femininas do início do século XX na Bahia.
Pessoa
Anna Angélica
anos 1880 – ?
Nasceu em Salvador, Bahia, Brasil
Momentos datados desta trajetória, do corpus.
Anna Angélica, conhecida como "Angélica Endiabrada", foi uma valentona - uma mulher durona e habilidosa no combate físico - que se tornou notória em Salvador, Bahia, entre 1910 e 1920. Ela era presença constante nas manchetes dos jornais e nos registros policiais como uma das temidas "valentonas da Bahia".
"Endiabrada" - significando "possuída pelo diabo" ou "selvagem" - não era um mero apelido, mas um adjetivo dado às mulheres que demonstravam habilidade excepcional no combate corpo a corpo. Angélica ganhou esse epíteto após um confronto com um guarda civil, no qual resistiu à prisão e bateu no oficial, quebrando sua boca. Este único ato de desafio à autoridade cristalizou sua reputação no imaginário popular.
Segundo Antônio Vianna em "Casos e coisas da Bahia", Angélica também era conhecida como uma desordeira que, quando bebia, quebrava os bares da capital por volta de 1910. Os cenários eram as ruas, os bordéis, os pontos de prostituição - a mesma geografia urbana que moldou os capoeiristas masculinos da época. Os motivos dos conflitos eram ciúmes, bebida, rixas pessoais - a moeda corrente da vida de rua na velha Bahia.
Angélica pertencia a uma geração de lendárias capoeiristas e valentonas femininas cujas histórias foram transmitidas pela tradição oral. Ela era contemporânea de Salomé, Maria Doze Homens, Chicão, Rosa Palmeirão, Massú, Catu, Almerinda e Menininha - mulheres cujas histórias envolviam confrontos com a polícia, brigas com navalha, e até mortes de famosos valentões.
O livro "Mestres e capoeiras famosos da Bahia" de Pedro Abib (2009) contém um capítulo intitulado "Maria Doze Homem e Angélica Endiabrada: Briga por moqueca", documentando um encontro entre essas duas mulheres lendárias. O fato de seu conflito ter merecido um capítulo próprio demonstra o quão significativas essas figuras femininas eram na capoeiragem do início do século XX na Bahia.
Embora não haja evidência direta de que Angélica fosse capoeirista no sentido formal, os jornais e a polícia da época rotulavam mulheres como ela dessa forma. O domínio da navalha, canivete, faca e punhal sugere que ela fazia parte da cultura da capoeiragem, pois essas armas eram as companheiras dos praticantes de capoeira pós-escravidão.
A história de Angélica foi lembrada na literatura de cordel - os livretos populares impressos que celebravam figuras lendárias. Junto com Besouro Mangangá, Inocêncio Sete Mortes e Maria Doze Homem, ela se tornou parte do folclore que manteve viva a memória da velha capoeiragem.
A tese de doutorado "Mulheres incorrigíveis: capoeiragem, desordem e valentia nas ladeiras da Bahia (1900-1920)" de Paula Juliana Foltran (2019, Universidade de Brasília) representa o estudo acadêmico mais abrangente sobre mulheres como Angélica. A pesquisa de Foltran no Arquivo Público do Estado da Bahia identificou centenas de mulheres envolvidas em lutas de rua durante este período, desmontando definitivamente o mito de que a capoeira era um domínio exclusivamente masculino.
Angélica Endiabrada teve ligação com Saloméanos 1910 – anos 1920
Valentona contemporânea de Salomé. Ambas listadas entre as lendárias capoeiristas femininas do início do século XX na Bahia.
Angélica Endiabrada teve ligação com Maria Doze Homensanos 1910 – anos 1920
Rival/contemporânea de Maria Doze Homens. Seu conflito documentado no capítulo do livro "Maria Doze Homem e Angélica Endiabrada: Briga por moqueca".
Angélica Endiabrada teve ligação com Zeferinaanos 1910 – anos 1920
Ambas eram valentonas do Distrito da Sé em Salvador durante os anos 1910-1920; documentadas nas manchetes de jornais e registros policiais por capoeiragem
Angélica Endiabrada teve ligação com Idalinaanos 1910 – anos 1920
Ambas eram lendárias valentonas do Distrito da Sé em Salvador durante os anos 1910-1920; documentadas nas manchetes de jornais e registros policiais por capoeiragem
Angélica Endiabrada teve ligação com Chicãoanos 1920 –
Tanto Chicão quanto Angélica Endiabrada eram valentonas ativas em Salvador, listadas juntas em relatos históricos de famosas mulheres capoeiristas/lutadoras da época. Angélica era ativa 1910-1920s, Chicão 1920s-1930s.
Atuou em: Salvador, Bahia, Brasil
1910 – ?
Relações por confiança