Zeferina de tal foi uma capoeirista e valentona de Salvador, Bahia, documentada em registros de jornais e policiais das décadas de 1910 e 1920. Pouco se sabe sobre ela além de sua feroz rivalidade com Idalina Maria do Sacramento, outra lendária valentona da época.
O conflito entre Zeferina e Idalina tinha raiz na competição pelo ponto de prostituição no Distrito da Sé, uma área notória na Baixa dos Sapateiros de Salvador que era lar de capadócios, valentes e das mulheres incorrigíveis que desafiavam a ordem social.
Em 24 de abril de 1920, o Jornal de Notícias relatou o confronto: "Foi presa mais uma vez ZEFERINA DE TAL, por brigar com sua companheira Idalina Maria do Sacramento". O jornal descreveu como "encontraram-se as desafetas e foram ao duelo a murro e pontapé".
Ambas as mulheres tinham extensos registros policiais, acusadas múltiplas vezes de "capoeiragem" - a prática da capoeira, que era criminalizada pelo Código Penal de 1890. O uso de técnicas de luta as identificava como praticantes da arte, embora a linha entre capoeiristas e lutadoras de rua em geral fosse frequentemente nebulosa nos registros policiais da época.
Zeferina foi uma das centenas de "mulheres incorrigíveis" documentadas por Paula Juliana Foltran em sua pesquisa de doutorado pioneira na Universidade de Brasília. Esta pesquisa, realizada no Arquivo Público do Estado da Bahia, desmontou o mito de que a capoeira era um domínio exclusivamente masculino, revelando que as mulheres participavam ativamente da cultura de rua do início do século XX em Salvador.
O termo "de tal" em seu nome sugere que seu nome completo era desconhecido pelas autoridades, ou que foi deliberadamente omitido - uma prática comum para indivíduos marginalizados cujas identidades eram consideradas sem importância por quem registrava suas prisões. Apesar deste anonimato, suas repetidas aparições em registros policiais e sua rivalidade documentada com Idalina demonstram que ela era uma figura reconhecida no violento submundo das ruas de Salvador.